30/01/2006
Acordo
Boa noite. É melhor eu escrever alguma coisa aqui para não correr o risco de vocês pararem de ler, não é?
Estava pensando a respeito do que escrever aqui e, para variar, me deparei com situações que me fizeram passar raiva na semana: pedestres chegando na faixa um pouquinho antes da pessoa anterior terminar de passar (pela quinta vez seguida), machismo, feminismo, falta de visão política, ser obrigada a ter uma visão política, tudo que é bom engordar, ter que ficar abaixo de certo peso para me sentir bem, etc...
O caso do machismo versus feminismo, por exemplo... Poucas pessoas se admitem, hoje, machistas. Todo mundo acha que não existe diferença entre os sexos, raças (na verdade nem existem diferentes raças humanos), opção sexual ou religiosa. Ficou bonito falar isso. Por que, então, as pessoas não se seguram logo antes daquele comentário discriminatório? "Tinha que ser mulher". Esse tipo de frase é justificada pelo "as mulheres foram criadas de uma certa forma e isso as torna péssimas motoristas ( eleitoras, escritoras, representantes, líderes, pensantes)" mas esta justificativa faz mais do que isso. Ela fala para mulheres que elas têm que lutar contra todo tipo de liderança masculina porque a "sociedade patriarcal" fez delas menos.
Encontramos agora outra aberração. O feminismo (nome estranho para quem quer direitos iguais) se tornou o movimento para a superação de tudo masculino. Quer ainda provar que a mulher não apenas é igual ao homem mas melhor que ele. Imagino se essas senhoras e senhores (sim, senhores feministas... se é políticamente correto, encontramos de tudo) querem que a "sociedade patriarcal" se torne uma "sociedade matriarcal" apenas para que possamos nos vingar dos anos de injustiças.
Outro dia estava lendo um livro direcionado para mulheres. Não consegui passar da introdução. Fiz uma nota mental para qualquer dia continuar a ler para ver se a autora vai realmente falar alguma coisa relevante ao suposto assunto principal porque, na introdução inteira e em boa parte do primeiro capítulo, tudo o que ela fazia era falar mal da tal da sociedade patriarcal.
Esta postura passiva me cansa. Homens e mulheres convivem e esta convivência muda com o tempo. Não estava parada na época de nossas avós, bisavós e não está parada hoje. O caso é que, em questão de sexo, somos diferentes. Não apenas por causa da cultura e condicionamento. Somos fisicamente diferentes. Isso não significa inferiores ou superiores. Na verdade, somos capazes de qualquer coisa, mesmo de coisas tidas como especialidades do sexo oposto. Só nos cobra um pouco mais de esforço. Mentalmente eu não sei. Se existe uma diferença na inteligência, eu ignoro. Já conheci homens mais inteligentes e mulheres mais inteligentes. O que me cansa é essa necessidade de ser melhor em tudo o tempo todo que o feminismo, hoje, nos impõe.
É claro que é preciso um certo cuidado. Até 1920 as mulheres não votavam nos EUA e no Brasil até 1932. Me assusta pensar que um direito que tenho como certo e natural precisou de tanto tempo e tanto trabalho para ser aceito. Sim, eram necessários mais eleitores, mas ainda assim não foi fácil. Foram lutas importantes. Pelo que lutamos hoje? Temo que interesses fúteis acabem me tirando a atenção de coisas mais importantes (conquistadas com dificuldade e trabalho). Consciência política. Igualdade. Não deveríamos lutar para sermos consideradas melhores mas iguais. Iguais em direitos, deveres e oportunidades. Podemos ser diferentes mas não somos diferentes o suficiente para sermos incapazes de cumprir com nossas obrigações. Não sei como os homens não começaram a protestar contra o serviço militar obrigatório apenas para eles... Estão em desvantagem (rs). Também estão em desvantagem na questão da aposentadoria... Se não me engano as mulheres vivem mais.
Mas também defendo a possibilidade de escolha. Trabalhar, cuidar de casa, dar suporte a outras pessoas, tirar um tempo para se cuidar são opções que deveriam estar abertas aos dois sexos tendo como restrição apenas a situação financeira de cada um (isto ainda não é um mundo perfeito). Gentilezas são bem-vindas já que todos gostamos de mimo mas a obrigação de pagar a conta já não deveria ser, e em muitos casos não é, apenas de um (assim como a de arrumar a casa). Agora, novamente, quando chegamos no relacionamento pessoal, o que vale é o que deixar os dois confortáveis, não? O importante é os dois lados serem considerados e ouvidos. Não se deixar diminuir e não se impor. Deveria se chamar: acordo.
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