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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Aaaarrrghhhhhhhhh!!!!!!!!

Que coisa.
Às vezes eu me pergunto se vale a pena lutar contra a maré. Parece que, para trabalhar na minha área, preciso convencer a todos de que arquitetos são úteis. Que não pensam apenas em deixar as coisas mais frescas e cheias de revestimentos da moda. Parece consenso de que são um dinheiro jogado no lixo... Bem, devo mencionar novamente (os que já ouviram, por favor, me perdoem) que, enquanto um arquiteto ganha quase o suficiente para sobreviver com um projeto que leva uma quantidade considerável de tempo e esforço (a menos que tenha conseguido se transformar em uma marca, em status, em moda), um corretor tira de 5 a 10% do dinheiro da venda de uma casa para realizar a mediação. A última casa que eu vi à venda, o valor poderia variar entre 7 e 14 mil reais! Para uma venda! Tudo bem, ele tem bastante trabalho para isso mas... É o mesmo trabalho de quem projeta a casa?
Ora, mas qualquer um pode pode desenhar a própria casa, não?
Bem, para poder desenhar a sua casa, passei (e ainda passo) um tempo considerável na faculdade (é o segundo curso mais longo da UnB perdendo apenas para medicina) estudando o básico de estruturas, elétrica e hidráulica. Não para fazer estes projetos mas para, ao projetar qualquer edifício, possibilitar maior praticidade e menores gastos aos profissionais que os farão. Estudamos ainda conforto ambiental para controlar temperatura, passagem de ventos, transmissão de ruídos ou ampllificação de sons desejáveis. Estudamos plantas para fazer um planejamento da paisagem eficiente, sem que os custos de manutenção sejam altíssimos mas ainda resultando em um ambiente agradável e UTILIZÁVEL. Não apenas um quadro. Estudamos sintaxe para projetar a casa de forma aos ambientes mais privados serem bem restritos e, os públicos, convidativos. Estudamos, claro, simbolismos na Arquitetura e estética. As possibilidades que uma cor ou um elemento proporcionam para a percepção humana. Como trabalhar ambientes pequenos para evitar a sensação de claustrofobia e como torná-os práticos e versáteis. Estudamos como arquitetos têm projetado através da História e tentamos aprender por seus erros e acertos. Como fazer o ambiente ser prático, confortável, agradável, seguro e (acreditem ou não) barato para o cliente.
Eu, particularmente, ao especificar um revestimento, vou pensar no conforto, durabilidade e beleza! Não em moda (a menos que esta seja a vontade do cliente)!!!
Bem... Isso tudo veio à tona porque estou procurando uma casa para alugar e, conseqüentemente, vendo várias casas em vários locais. A diferença entre uma casa pensada por um profissional e de uma simplesmente construída por um leigo é enorme. Dá para reconhecer pelo cheiro. Ambientes mal planejados, desconforto térmico, acústico e visual. Quartos sobrando e sem função que não servem para nada além de fazer número e espaço para limpar. E nem falo que o morador não tenha tentado fazer algo agradável mas, o que um arquiteto faz não é colocar um degrau em um wc ou pintar texturas na parede completando com sancas no teto. Nada disso tem qualquer valor se não cumpre um propósito que tem a ver com a organização do ambiente.
Em uma das casas, o morador colocou uma escada pré-fabricada de aço (muito bem, economizou na escada e não tentou enfeitar só para enfeitar) mas revestida por um piso que, quando molhado, é famoso por se tornar escorregadio. Nesta mesma casa, o beiral não cobria a escada mas direcionava a água da chuva diretamente para o meio dela. Ora, desastre na certa! E o morador não conseguiu prever como não conseguiu prever mais um monte de problemas potenciais pois não estudou para isso! Os problemas que esta casa vai apresentar (ou já apresentou) custarão muito mais do que o preço de um arquiteto. Esta é uma profissão que se paga e ninguém acha isso útil!
Vi uma casa com 7 quartos, 3 suítes, piscina, sauna, inúmeros banheiros, churrasqueira e garagem para 3 carros (um deles em entrada separada para uma edícula nos fundos) e o aluguel dela era de 2500 reais. Terrível a casa. Mal pensada do começo ao final.
Em contraste, vi outra com 4 quartos, 2 suítes (uma delas tbm em edícula nos fundos), piscina, sauna, churrasqueira... Aluguel de 3200 e, se eu tivesse o dinheiro, alugaria com os olhos vendados!!! Foi pensada! Os ambientes se completam, o fluxo da casa é perfeito, confortável, agradável! Um local que facilitaria a vida, não atrapalharia! Um local que não trazia riscos de quedas e fraturas a seus moradores, acreditam?
E isso é o que me faz continuar a lutar e a conversar e a explicar. É necessário! Não fui para a faculdade a toa! É uma profissão ingrata (por esta luta de todo dia) mas é uma profissão que torna, diretamente, a vida das pessoas melhor. Não importa se é uma casa pequena, uma reforma de apartamento, uma igreja ou um aeroporto. Contrate um arquiteto. Não precisa ser o profissional da moda. Só precisa ter estudado para projetar.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Redescobri a roda!




Decidi que não gosto do tempo. Ele nunca concorda comigo! Se quero que passe rápido, se arrasta. Se quero que vá devagar, vôa!! Fora que ele é o grande inimigo (*tensão*)... O que sempre tentamos vencer, seja na ciência, na medicina, na história, ou na rotina diária de cada criaturazinha insignificante do planeta. Me parece mais e mais que todos, e eu digo TODOS, têm em um momento ou em outro (normalmente em muitos momentos) problemas com o passar do tempo. Como nós, humanos, dominadores do fogo e das estrelas (rsrs) não conseguimos resolver ainda um problema que afeta tanto tantos de nós?


Bem, sei que o passado só existe na memória e o futuro, bem, é muito incerto (assisti kung fu panda)... cada segundo que passa é único e a única coisa da qual podemos ter certeza. E ele passa, e passa, e passa... Bem, é melhor eu aproveitar melhor os meus segundos e parar de escrever besteiras rs.


Boa melancolia para vcs e muito obrigada por partilharem seu tempo comigo. Faz cada agora ser muito mais agradável.

sábado, 19 de abril de 2008

Este segundo texto é bem mais tosco. Foi feito no final do ano depois de eu receber uma mensagem sobre listas com objetivos... Bem, de qualquer forma, aqui está.
Ah!!! Neste blog eu não pretendo ficar escrevendo textos enormes e sérios, ok? É mais uma forma de ficar em contato durante a semana e comentar as coisas quando elas acontecem... Também para compartilhar mas acho que já falei isso na descrição.
Bem... Até amanhã.

30/12/2005

Final de Ano

É interessante a idéia de termos um marco para analisarmos nossas conquistas e perdas durante uma quantidade de tempo. Porque isso acontece anualmente, eu não sei. Mas acredito que nos sentimos melhor fazendo isso na mesma época que outros. Nos dá um sentimento de comunidade, de que não somos ilhas ou de que existem mais ilhas por aí. De qualquer forma, a passagem de ano se tornou uma época de renovação.

Fez a sua lista? Gostou do resultado? Ótimo! Não gostou? Faça outra daqui a seis meses ou mesmo dois meses. Sempre é tempo de olhar para trás, ver o que der certo e o que deu errado e continuar.

Tenho a mania de, sempre que me sinto mal e deprimida comigo mesma, faço uma lista das coisas que quero melhorar. Ajuda instantaneamente. Estranho, não? Mas tirar a visão do imediato e colocar no que ainda pode vir a ser tem um poder incrível.

Felizmente as pessoas são diferentes. Faça o seu balanço de vida toda virada de ano, várias vezes por ano, a cada 5 anos ou nunca, o que lhe parecer melhor. Ainda assim acredito que apreciará meus desejos de felicidades, realizações, saúde e qualidade de vida para o resto de seus dias.

Vou colocar os textos do meu blog antigo, neste. Nem sei se são bons. Sei que, quando escrevi, era o que eu queria dizer. Aqui vai o primeiro:

30/01/2006

Acordo

Boa noite. É melhor eu escrever alguma coisa aqui para não correr o risco de vocês pararem de ler, não é?

Estava pensando a respeito do que escrever aqui e, para variar, me deparei com situações que me fizeram passar raiva na semana: pedestres chegando na faixa um pouquinho antes da pessoa anterior terminar de passar (pela quinta vez seguida), machismo, feminismo, falta de visão política, ser obrigada a ter uma visão política, tudo que é bom engordar, ter que ficar abaixo de certo peso para me sentir bem, etc...

O caso do machismo versus feminismo, por exemplo... Poucas pessoas se admitem, hoje, machistas. Todo mundo acha que não existe diferença entre os sexos, raças (na verdade nem existem diferentes raças humanos), opção sexual ou religiosa. Ficou bonito falar isso. Por que, então, as pessoas não se seguram logo antes daquele comentário discriminatório? "Tinha que ser mulher". Esse tipo de frase é justificada pelo "as mulheres foram criadas de uma certa forma e isso as torna péssimas motoristas ( eleitoras, escritoras, representantes, líderes, pensantes)" mas esta justificativa faz mais do que isso. Ela fala para mulheres que elas têm que lutar contra todo tipo de liderança masculina porque a "sociedade patriarcal" fez delas menos.

Encontramos agora outra aberração. O feminismo (nome estranho para quem quer direitos iguais) se tornou o movimento para a superação de tudo masculino. Quer ainda provar que a mulher não apenas é igual ao homem mas melhor que ele. Imagino se essas senhoras e senhores (sim, senhores feministas... se é políticamente correto, encontramos de tudo) querem que a "sociedade patriarcal" se torne uma "sociedade matriarcal" apenas para que possamos nos vingar dos anos de injustiças.

Outro dia estava lendo um livro direcionado para mulheres. Não consegui passar da introdução. Fiz uma nota mental para qualquer dia continuar a ler para ver se a autora vai realmente falar alguma coisa relevante ao suposto assunto principal porque, na introdução inteira e em boa parte do primeiro capítulo, tudo o que ela fazia era falar mal da tal da sociedade patriarcal.

Esta postura passiva me cansa. Homens e mulheres convivem e esta convivência muda com o tempo. Não estava parada na época de nossas avós, bisavós e não está parada hoje. O caso é que, em questão de sexo, somos diferentes. Não apenas por causa da cultura e condicionamento. Somos fisicamente diferentes. Isso não significa inferiores ou superiores. Na verdade, somos capazes de qualquer coisa, mesmo de coisas tidas como especialidades do sexo oposto. Só nos cobra um pouco mais de esforço. Mentalmente eu não sei. Se existe uma diferença na inteligência, eu ignoro. Já conheci homens mais inteligentes e mulheres mais inteligentes. O que me cansa é essa necessidade de ser melhor em tudo o tempo todo que o feminismo, hoje, nos impõe.

É claro que é preciso um certo cuidado. Até 1920 as mulheres não votavam nos EUA e no Brasil até 1932. Me assusta pensar que um direito que tenho como certo e natural precisou de tanto tempo e tanto trabalho para ser aceito. Sim, eram necessários mais eleitores, mas ainda assim não foi fácil. Foram lutas importantes. Pelo que lutamos hoje? Temo que interesses fúteis acabem me tirando a atenção de coisas mais importantes (conquistadas com dificuldade e trabalho). Consciência política. Igualdade. Não deveríamos lutar para sermos consideradas melhores mas iguais. Iguais em direitos, deveres e oportunidades. Podemos ser diferentes mas não somos diferentes o suficiente para sermos incapazes de cumprir com nossas obrigações. Não sei como os homens não começaram a protestar contra o serviço militar obrigatório apenas para eles... Estão em desvantagem (rs). Também estão em desvantagem na questão da aposentadoria... Se não me engano as mulheres vivem mais.

Mas também defendo a possibilidade de escolha. Trabalhar, cuidar de casa, dar suporte a outras pessoas, tirar um tempo para se cuidar são opções que deveriam estar abertas aos dois sexos tendo como restrição apenas a situação financeira de cada um (isto ainda não é um mundo perfeito). Gentilezas são bem-vindas já que todos gostamos de mimo mas a obrigação de pagar a conta já não deveria ser, e em muitos casos não é, apenas de um (assim como a de arrumar a casa). Agora, novamente, quando chegamos no relacionamento pessoal, o que vale é o que deixar os dois confortáveis, não? O importante é os dois lados serem considerados e ouvidos. Não se deixar diminuir e não se impor. Deveria se chamar: acordo.