Árvores do Alentejo
Florbela Espanca
Horas mortas... curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol postonte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
-Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Um comentário:
Os filhos são os frutos da alma da gente
Quando pequenos um simples acalanto, silente,
Traz paz e conforto ao pequeno ser, inocente.
.
Uma vez crescidos, envoltos em pensamentos
Assumem suas vidas sem notar alegria ou lamento
Daqueles que um dia, chorando de emoção
Aconchegaram o pequeno ser, sem a certeza
De que o cuidado, o compromisso de orientar
Era algo possível, com o calor do coração
Que freneticamente batia, dominado pela emoção.
.
Se agiram certos ou não,
Ficou de revelar o futuro, distante então
Quando restaria desejar
Ter agido certo, não ter lutado em vão...
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