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segunda-feira, 21 de abril de 2008

Perspectiva

É bom saber que nossos sentimentos não foram únicos, primeiros ou incompreensíveis. Talvez exista algum conforto em compartilharmos algo com mais alguém na humanidade (principalmente se estamos em boa companhia).
Não sei se ela quis dizer o que eu entendo com esta poesia mas sei que não conseguiria expressar de forma tão agradável.



Ísis
Cecília Meireles
.
E diz-me a desconhecida:
"Mais depressa! Mais depressa!"
Que eu vou te levar a vida! . . .
.
"Finaliza! Recomeça!
"Transpõe glórias e pecados!. . ."
Eu não sei que voz seja essa
.
Nos meus ouvidos magoados:
Mas guardo a angústia e a certeza
De ter os dias contados . . .
.
Rolo, assim, na correnteza
Da sorte que se acelera,
Entre margens de tristeza,
.
Sem palácios de quimera,
Sem paisagens de ventura,
Sem nada de primavera . . .
.
Lá vou, pela noite escura,
Pela noite de segredo,
Como um rio de loucura . . .
.
Tudo em volta sente medo . . .
E eu passo desiludida,
Porque sei que morro cedo . . .
.
Lá me vou, sem despedida . . .
Às vezes, quem vai, regressa . . .
E diz-me a Desconhecida:
.
"Mais depressa" Mais depressa" . . .