Telha de vidro
Rachel de Queiroz
Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
Eu não conhecia.. Achei muito bonitinha. Gostei de como ela caminha apesar da métrica (que sempre gosto rígida em poesia). Dá vontade de contar para criança dormir. Dá até para imaginar a camarinha.. rs
2 comentários:
Oi, garota!
Eu já gostei porque adoro mensagens positivas, de otimismo. Fiquei pensando no quê seria a telha de vidro para mim. Primeiro, pensei na tv, mas no momento, penso que está sendo o curso de Letras. Está abrindo um sol de novos conhecimentos.
Linda mensagem, querida!
bjo
Que bom que vc gostou... Achei que gostaria. :)
Bonita, né?
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