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terça-feira, 9 de setembro de 2008

O alívio do não ser

Passamos grande parte de nossa vida tentando nos definir. O que somos? Como podemos nos melhorar? Tornarmos nosso individual tão indispensável ou especial que, através do reconhecimento do outro, imaginamos poder nos reconhecer. Talvez esse plural seja válido apenas para as inúmeras Anas que já foram eu ou talvez alguém mais possa se identificar com isso. Não imagino ser um comportamento muito saudável, mas é a única forma de “ser” que me é familiar. Não sei quem eu sou. Sei como estou. Sei a cada momento apenas o que sinto e isso é tão seguro quanto névoa, quanto a água guardada em uma esponja que foi jogada no rio. E o que importa? Até hoje o ser só me trouxe decepções. Algumas alegrias que rapidamente se transformaram em frustrações. Esperança... Um dos maiores sofrimentos que já experimentei e experimento, por mais que grite para NÃO MAIS!
Mas sim... sempre mais. Dia após dia... Esperança, frustração... Medo (que não deixa de ser a esperança de segurança) e... frustração. Alegria, planos, esperança e... bem, acho que vc já sabe onde isso vai chegar. Tudo ligado ao individual. Ao meu ser.
Não quero mais querer e, enquanto isso, quero TANTO!
Tanto que dói! Os filhos que ainda não tive, as viagens que ainda não fiz. O mundo que eu ainda não ajudei a ser melhor, os livros que não li e não escrevi. Tenho muito a viver mas dói TANTO! E para quê? Para quê tudo isso? Perpetuar o sofrimento por gerações? Passar o fardo adiante, ou melhor, multiplicar o fardo? Desisto de sonhar. DESISTO! Que se dane o orgulho. Eu sei certeza de que a minha vida é melhor do que a de outras pessoas mas DE QUE ISSO IMPORTA? Só me diz que existem pessoas mais frustradas do que eu, não tira a minha frustração. Não tira a minha carga, só aumenta. Tira de mim o status de “triste” e me dá o de “ingrata, incompetente, sem determinação, egoísta, exagerada, mimada, preguiçosa, etc, etc...”. E ainda sonho. Sonho com não mais sonhar e sonho (mas só escondido de mim mesma pois eu ficaria muito brava se soubesse) com o dia no qual minhas incapacidades serão irrelevantes e minhas qualidades realmente ajudem. O dia no qual poderei encontrar algum valor, não pela visão de outra pessoa, mas por certeza minha. E que terei competência, tempo e disposição para ler, viajar, trabalhar, estudar, tocar, partilhar, educar, morar, aproveitar... Um dia no qual não estarei decepcionada nem decepcionando, apenas vivendo. Mas não é este dia. Não tem sido este dia há muito tempo e eu estou cansada.

4 comentários:

Mac disse...

Oi, querida
Fazia tempo que eu não escrevia aqui, não é?
1. A mudança de layout me deixou triste.
2. Muitas pessoas vão vegetando e nunca se perguntam nada. Então, não é que não alegres ou tristes. Apenas não se questionam. Questionar-se, cobrar muito de si mesma é parte da coisa ruim que nossa família lhe legou. Não tem que continuar com isso, querida. Joga fora!
beijos
te amo muito

Ana Carol disse...

Estou cansada, mamãe... Muito cansada. Às vezes parece que tenho todo o apoio do mundo. Às vezes parece que estou sozinha e que ninguém pode realmente entender. Que todo apoio oferecido é baseado em uma percepção falsa da realidade que se transforma rapidamente em decepção. Sei lá.. Não posso ser responsável por isso tbm.

Mac disse...

Querida Aninha,
O ofício de ser mãe é difícil de ser vivido, especialmente quando se tenta com todas as forças ser mãe e amiga. Não há quem não se decepcione com o outro nesta vida. Ainda mais quando o outro não se esconde atrás de uma fachada de bom-mocinho. Lamento muito se, ao mostrar que gostaria de outra realidade para você eu a decepcionei. É tentativa de acerto errando. Peço desculpas, querida. E a palavra certa não é decepção. É querer muito para a minha filhinha. Você é a única responsável pelos teus acertos e erros. Eu existo somente para oferecer apoio. De vez em sempre extrapolo e tento te dar puxão de orelha e você reage à altura máxima. Ok. Respeito isso. Estou, acredito, melhorando aos poucos, não acha? Peço a você que utilize de misericórdia para com outro ser humano além de mim: para com você mesma. Ninguém é perfeito. Eu mais do que todo mundo. Assim, vamos vivendo fazendo o melhor possível (não é assim que você faz?) . Se os outros nos entendem, melhor. Se não, fazer o quê? Mesmo que esses outros sejam uma mãe que te adora. Tenta me ajudar, filha. Não sei como lidar com você.
te amo muito;

Ana Carol disse...

Mamãe, se eu soubesse como lidar comigo mesma, não teria problemas! rsrsrs
Obrigada pelo apoio, viu?
Bjo

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